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“Pobre Endinheirado”

Por Gilmar Duarte – via e-mail 02.07.2018

Como pode alguém que tem muito dinheiro ser considerado pobre? Ao inverter o raciocínio e mantendo a lógica, então é possível ter o “rico quebrado”?

            A regra do jogo para as crianças é viver, ser feliz, sem se preocupar com as aparências. Ao passar da fase infantil para a juvenil, muitas, especialmente as mais pobres – aqui me refiro às condições financeiras – procuram traçar sonhos para vencer as dificuldades que têm ou tiveram de enfrentar: se formar, conseguir um bom emprego, um carro, uma casa, condições melhores para os filhos e muitas outras coisas.

            Passam a dedicar-se aos estudos, concluem uma ou mais faculdades, fazem algumas pós-graduações, trabalham com afinco, economizam bastante e investem, por vezes, na empresa própria. Com todo esse empenho começam a conquistar dinheiro, trabalham cada vez mais, conseguem mais dinheiro, então reinveste e essa roda continua girando até alcançar à riqueza, mas não para.

            O profissional, talvez empresário, bem estabelecido econômica e financeiramente, que trabalha muito dificultando conseguir tempo para usufruir melhor das coisas que gosta, pois tem afazeres excessivos. Esse é o “pobre endinheirado”?

            Essa pessoa, que não tem tempo para curtir familiares e amigos, provavelmente já tenha muito dinheiro dado ao volume de trabalho. É possível que seja um “coitado endinheirado”, pois não consegue perceber valor nas coisas simples e indispensáveis.

            O “pobre endinheirado”, termo que ouvi recentemente num congresso, é aquela pessoa que conquistou bastante patrimônio e/ou dinheiro, mas parece ter escorpião no bolso, ou seja, tem medo de gastar dinheiro e tornar à pobreza. Com isso opta por viver uma vida miserável para guardar o que já conquistou.

Há algum tempo conheci a tia de um amigo que, segundo ele, tem um patrimônio razoável e bom saldo bancário, mas para se alimentar sai às ruas vasculhando lixeiras. Não há dúvidas de que se trata de uma pessoa miseravelmente “pobre endinheirada.”

            Para que essa forte terminologia não recaia sobre os ombros daqueles que nasceram pobres e conquistaram bens devem possuir automóveis caros na garagem da mansão, almoçar constantemente em bons restaurantes, fazer e participar de grandes festas, sair nas páginas sociais, usar joias caras, tomar os melhores vinhos e whiskies, viajar por todo o mundo e muito mais?

            Há pessoas que têm o prazer de colecionar automóveis em miniaturas, degustar vinhos, assim como os que se divertem viajando para conhecer novos lugares e culturas. Tudo isto e outras coisas são excelentes para quem gosta, pois imagine o sofrimento de uma pessoa que não se diverte ao assistir uma partida de tênis, mas para ostentar fica lá por duas ou três horas? “Pobre endinheirado” é aquele que tem condições financeiras para fazer aquilo que gosta ou precisa, mas se sacrifica simplesmente para não gastar dinheiro.

            Pior do que ser um “pobre endinheirado” é ser um “rico quebrado”, ou seja, a pessoa que já não tem condições de manter o padrão de vida que ostenta, mas insiste em ser o que não é!

            A quem teve origem em uma família de poucas posses e começa obter rendas que permitem bancar um padrão de gastos maiores é aconselhável que o faça, mas parte dessa receita é prudente constituir uma reserva para a época das “vagas magras” ou para ampará-lo na aposentadoria, pois pode acontecer de voltar a ser pobre, por falta de precaução, e depender de favores para viver.

            Não seja o que os outros querem, mas com prudência, equilíbrio, cautela e bom senso seja você mesmo!

Gilmar Duarte é palestrante, contador, autor dos livros “Honorários Contábeis” e “Como Ganhar Dinheiro na Prestação de Serviços” e CEO do Grupo Dygran (indústria comércio do vestuário, software ERP e contabilidade).

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Líderes antigos e acomodados ou jovens sedentos por mudança?

O raio-X das empresas contábeis no Brasil revelado pela PNEC demonstra que o setor carece de verdadeira atenção de seus representantes. No entanto, a impressão que fica é que estes líderes estão noutro mundo de preocupações.

Basta acessar os diversos blogs na internet para constatar o clamor dos contadores por auxílio daqueles que ocupam cargos de representantes da classe, mas seus anseios ficam sem respostas e ações.

Nesta semana pude ler diversas mensagens desencontradas conclamando a interferência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Conselho Regional de Contabilidade (CRC) ou qualquer outro órgão que promova algum evento para debater as dificuldades da classe, especialmente financeiras, para juntos encontrar soluções para honorários mais justos capazes de viabilizar a prestação de serviços com mais qualidade.

Infelizmente o que vemos são honorários cada vez mais achatados para tentar manter o cliente, atitude que piora ainda mais o mercado, pois sem recursos é impossível investir no negócio, baixando de vez o padrão do serviço.

A Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis (PNEC) revelou claramente a situação acima exposta, ou seja, os salários dos colaboradores tiveram que ser aumentados para que os clientes e as empresas de softwares não os tomem.

Hoje o custo médio de um colaborador está acima de R$ 2 mil (é um resultado para comemorar, não fossem os baixos honorários). O honorário médio pago pelos clientes é R$ 562,52, o que obriga a existência de uma vasta carteira de clientes.

As empresas contábeis são formadas, em média, por nove colaboradores e 80 clientes, então cada colaborador é responsável por praticamente 10 empresas.

Mesmo assim o faturamento caiu, na afirmação de 33% dos que responderam a PNEC. O pior é que o lucro líquido também baixou, segundo 44% dos empresários contábeis que colaboraram com a pesquisa. E como está a inadimplência, as contas vencidas há mais de 30 dias divididas pelo faturamento de um mês? Este é outro assunto que descabela os empresários contábeis. Vejam que os cheques sem fundos em março atingiram o patamar de 2,21%, segundo a Serasa Experian, e isto tem assustado. As empresas de contabilidade, que muitas vezes são as últimas a serem lembradas de pagar, têm experimentado quase 11% de inadimplência.

A classe contábil no Brasil é expressiva – são quase 500 mil contabilistas e mais de 80 mil empresas de contabilidade -, formada na maioria por jovens com idade média de 29 anos, 57% graduados e 64% dos profissionais são do sexo feminino.

Estes ingredientes todos estão fazendo a “água borbulhar” e irão eclodir para se adequar aos novos tempos. O primeiro deles será a substituição dos líderes antigos e acomodados por jovens sedentos por mudanças.

Vamos substituir nossos representantes, que se encontram desmotivados, por pessoas trabalhadoras e comprometidas com a base da classe contábil?

Gilmar Duarte da Silva é empresário contábil, palestrante e autor do livro “Honorários contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”.

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