Contabilidade: Verdades e Mentiras

Por Júlio César Zanluca – coordenador do site Portal de Contabilidade

Como em toda ciência, a contabilidade sofre com estigmas que se introduzem com o tempo, cabendo a nós, contabilistas, combatê-las com o ímpeto necessário e visando preservar os penosos avanços até aqui alcançados por todos os que contribuíram e contribuem com a dinâmica do desenvolvimento social, econômico e científico.

A verdade é que a contabilidade passa por profundas transformações, exigindo de nós atualização constante, especialmente em relação às normas internacionais, agora adotadas oficialmente no Brasil.

A mentira é que isto é moda, que tudo passará e os balanços continuarão sendo apenas demonstrativos para o fisco. Ilude-se quem ainda julga que um balancete ou balanço possa ser fraudado com simples canetadas ou ajustes temporários. Com a introdução de diversos mecanismos de acompanhamento eletrônico (SPED-fiscal, ECD, NF-e, etc.) a “burla” terá vida curta – como diz o provérbio: “mentira tem perna curta”.

A verdade é que os contabilistas estão sobrecarregados de exigências extra-contábeis, como elaboração de minuciosas demonstrações para o fisco. Mais verdade ainda é que ainda não são remunerados adequadamente por todas estas obrigações, ainda mais considerando-se a grande responsabilidade civil e penal que têm ao assinar tais demonstrativos.

A mentira é que o governo vem simplificando as obrigações. Ao contrário, com exigências cada vez mais técnicas (manuais de operação com centenas de páginas de campos, dados, layouts, etc.), o profissional contábil vê-se quase à mercê, pagando caríssimo, de profissionais de outras áreas (como informática), tendo que delegar enormes quantidades de confiança e quase sem tempo para acompanhar todas as tarefas.

A verdade é que a contabilidade é útil, verdadeiro repositório de informações para o gerenciamento de um negócio ou de uma entidade sem fins lucrativos. Se ela não é utilizada com este fim, então estamos diante de outra verdade: dinheiro mal aproveitado.

A mentira é que a contabilidade é cara. Quem faz esta afirmação não conhece (ou não lê) as milhares de normas, regulamentos, leis, portarias, instruções e outras parafernálias diárias que são publicadas nos diários oficiais da União, Estados e Municípios, mudando grotescamente a legislação e as exigências do dia para a noite.

A verdade é que a classe contábil é pouco unida, pouco participativa nos sindicatos. O episódio recente do COAF, exigindo que o contabilista quebre o sigilo dos clientes ao informar operações, é um exemplo: pouquíssimos sindicatos se manifestaram, cadê a atuação deles nesta aberração a ética do profissional?

A mentira é que não pudemos mudar o Brasil. Ora, somos mais de 500.000 profissionais, com alto conhecimento técnico, capacidades específicas, poder de gestão, e outros atributos. Como não podemos participar e contribuir para que o Brasil mude, a partir de ações individuais, profissionais, coletivas e participativas de uma classe tão numerosa e (ainda não) tão influente na vida social?

Verdades e mentiras. Você escolhe com as quais convive diariamente.

10 comentários em “Contabilidade: Verdades e Mentiras

  1. Senhores, o próprio profissional contábil contribui para dificultar o trabalho contábil Menciono como exemplo o que ocorre na área pública. A STN está a implantar um modelo esdrúxulo, ilegal e ilegítimo no setor público. A violação da Lei Federal nº 4320/64 é flagrante, mas poucos se manifestam quanto a isso. Estão acomodados. Absurdo.

  2. Parabéns ao Sr. Júlio César Zanluca pela concisão e lucidez da matéria. A questão que fica é: será que o CRC, o CRF, o Sescon e outros órgãos não enxergam isso? Qual a causa dessa inércia? Há interesse de grandes corporações de que seja complicado (não é a complexidade, mas a complicação)?

    1. Luiz Carlos, será que os comandantes do CRC, do CFC são profissionais da área contábil que dependem de clientes? Ou são professores da Universidade “A”, “B” ou da Faculdade “A” ? Será que eles dependem do seu próprio negócio? Ou tem o ganho deles garantido, não importando então, se vão agir como um cachorrinho obediente do governo,e pior, fazendo com que todos nós tenhamos que ser obedientes também. Nosso conselho de classe está deixando de nos representar.

  3. Bom dia caro coordenador, muito engrandece a classe ao ler seus comentários.

    Exerço a profissão desde 1984 e, estamos sendo dedicando a maior parte no nosso tempo para atender as exigências da área fiscal dos governos e, o que recebemos por isto? A aplicação do Art 1177 do NCC e agora vem o CFC com a 1445/2013.

    Realmente, o que estão fazendo nossos representantes? Será que nunca exerceram a profissão ou não a conhecem?

    Porque somos obrigados a quebrar o sigilo de nossos cliente? Isto não é a função e obrigação da fiscalização governamental?

    Analisando os detalhes da Resolução 1445/2013, chegamos à conclusão de que, em um determinado momento obrigatoriamente, estaremos assumindo multas às quais não temos a menor condição.

    O que fazer com a industria das multas?

    Vamos propor aos profissionais uma paralização e mostrar para que servem nossos trabalhos e nossa dedicação.

    1. É revoltante solicitar explicações ao nosso Conselho (área Jurídica) e receber de volta a solicitação para ler a “LEI” . Ética profissional já não existe em nossa classe. A representação profissional deve PROTEGER e não virar as costas para Nós. Não acredito que a OAB aceitasse que os Advogados declarassem que os seus “Réus, “fossem” prováveis assassinos ou declarassem NEGATIVAMENTE que estes escondessem dinheiro nas cuecas em viagem ao exterior, ou que seu helicóptero NEGATIVAMENTE não levava e trazia drogas e dinheiro de nossas cercanias. Ou ainda DECLARASSEM NEGATIVAMENTE que os bilhões desviados da NOSSA PETROBRAX, não passaram de mera “composição política/administrativa/PPP etc. JÁ NÃO BASTA ENVIARMOS AS DECLARAÇÕES PARA OS ORGÃOS FEDERAIS, DEVIDAMENTE CERTIFICADOS. JÁ NÃO BASTA EMITIRMOS DCTF E TIRAR DO SERVIDOR O “TRABALHO” DE EMITIR UM DARF!??? Não, Não basta! Agora temos que nos colocar na MISSÃO DE APONTAR O PRETENSO MARGINAL e COLOCAR NOSSA FAMÍLIA EM PERIGO! Nossa família da contabilidade que em muitos anos ajudou esse País Varonil…..

  4. Na minha opinião as entidades sindicais, patronal e de empregados, são totalmente dispensáveis para seus “representados”.
    O Profissional de Contabilidade fica à mercê da sanha dos empregadores, que os veem apenas como dispêndio inútil. Não há a valorização, é injustiça afirmar que não são valorizados porque não trabalham para isso, não há como ter motivação diante de tantas obrigações fiscais, tributárias, previdenciárias, trabalhistas, etc.
    A lei não é para todos, haja vista o caso Petrobrás e tantas outras grandes empresas que são imunes à sanções pela prática de corrupção, sonegação, dentre outros crimes.
    Agora, as médias e pequenas são controladas furiosamente, e a qualquer deslize, mesmo aqueles sem má-fé, são impiedosamente multadas.

  5. Parabéns Luiz Carlos.
    Porquê esta declaração ao COAF não é exigida dos advogados, que defendem os traficantes que lavam dinheiro? Porque o CFC não exigiu do COAF que obrigue os advogados a prestar tal declaração?

  6. li todos os comentários, muito bem colocados. Mas apenas para acrescentar, acho que devemos fazer um movimento da seguinte forma:
    Primeiro solicitar de nossos representantes junto ao congresso que se edite um projeto de lei tornando nossa profissão personalíssima, assim como a dos advogados, é descabido que nós tenhamos que ser responsáveis solidários com nossos clientes, não temos poder de decisão sobre o que eles fazem, a conta bancária é eles que movimentam sem necessidade do nosso aval, desculpe o termo, mas acho o melhor a se colocar neste momento, a cagada já está feita quando o extrato chega em nossas mãos, como podemos ser responsáveis por uma transação que não agimos para que aconteça? somos meros escriturário da movimentação financeira já acontecida.
    Segundo porque o CFC disse amem a aplicação do Art 1177 do NCC, até editou a resolução CFC 1445/2013, está mal explicado, um Conselho criado com o intuito de nos defender das mazelas de nossos governantes, ” alias não temos governantes o que temos é um bando de interesseiros, picaretas, que rasgam a constituição, entregam nosso país aos vizinhos ditadores etc.”, simplesmente diz amem e ainda nos cobra a contribuição sindical. A OAB chiou e conseguir retirar esta exigência da classe, nós somos menos importantes para o Brasil ? qual a explicação para esta descriminação ? Ou acordamos seremos os eternos bode expiatório do Brasil.

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